O Consumo da Elite
Marcelo Brandão
Um estudo recente revelou alguns aspectos importantes sobre o consumidor da Classe A entre países da América Latina. O resultado e algumas curiosidades a respeito desse consumidor você confere aqui
No último trimestre o IBOPE Media revelou o perfil do Consumidor A: idade média de 38 anos, formação universitária ou superior, ocupante de posições de destaque no trabalho e influenciador das decisões de compra de amigos e familiares. O estudo avaliou a opinião de consumidores que compõem o nível mais alto (5%) da população brasileira, mexicana, colombiana e argentina.
Os resultados mostraram que a internet possui papel muito importante para a população de alta renda: 85% afirmam que confiam na rede como fonte de informações e 91% dos pesquisados, frequentemente, usam a internet para procurar referências sobre produtos antes de comprá-los. Para 82% dos brasileiros é conveniente consumir online, opinião diferente dos argentinos, colombianos e mexicanos, já que menos da metade deles concorda com essa percepção.
De acordo com o levantamento, o Brasil é, por exemplo, o local onde mais se compra produtos locais, ou seja, a população tem características mais nacionalistas. O grau de utilização de serviços bancários no Brasil, também é alto: 63% dos homens se utilizam o home banking, enquanto 56% das mulheres acessam o recurso.
Segundo o estudo, o consumidor pesquisado valoriza muito mais a qualidade que a média da população e cerca de 80% estão dispostos a pagar mais por produtos que identificam como de qualidade superior.
“Não sou muito de mostrar a marca. O que me atraí nesse tipo de produto, no meu caso, roupas e eletrônicos é a qualidade e o conforto. Mesmo consumindo um produto de grife, procuro algo discreto”, revela Álvaro Júnior, psicólogo, 35 anos e comprador assíduo no Brasil e no exterior de marcas famosas como Armani e Apple.
O que comprar
O estudo também apontou o que essa classe A pretende comprar neste ano. Metade dos brasileiros apontam o aparelho smartphone como objeto de desejo. Para o público feminino: 76% gastarão em cuidados com a pele, 50% com computador e 45% com roupas de grife. Já para o público masculino as preferências são: 57% gastarão com celular, 54% com computadores, 49% com perfumes e 41% com roupas de grife.
Para Marcus Daniel, diretor da divisão de celulares da LG, dentro da Classe A existem várias divisões: o consumidor adolescente, o idoso, a dona de casa, o executivo e o jovem profissional. O que esses consumidores têm em comum, principalmente quando falamos de celular, é a questão da conectividade. “Hoje, todos estão interessados em estar conectado. Desde o adolescente que quer um aparelho com facilidades para as redes sociais, a dona de casa e o marido executivo que quer ver seus emails”, ressalta Marcus.
Um forno de R$ 8.900?
Um forno de R$ 8.900 ou um refrigerador de R$ 15.900? Você compraria? Tem gente que sim. A marca KitchenAid vê com bom olhos o mercado de equipamentos de cozinha de luxo no Brasil. A empresa vem obtendo crescimento expressivo de vendas para essa classe: 121% em 2009, comparado com 2008, ano de entrada da marca no país.
“Nosso consumidor procura uma experiência diferente. Ele quer um produto exclusivo. Além de obter um suporte e uma assistência técnica que não teria se importasse esse mesmo produto”, afirma Antônio Henriques, gerente de marketing da marca.
Conforto e exclusividade são algumas das particularidades que importam na hora da compra para este consumidor. Quem pensa que a elite do consumo é deslumbrada e superficial, se engana. Há os que compram por status, sim, mas a grande maioria está bem informada e exigente.